Jô Soares tornou-se nos últimos anos, um clichê de si mesmo. Foi-se o tempo do beijo do gordo. Não vou mais para a cama com ele. Não faço mais nenhuma questão: atualmente, o gordo é apenas mais um produto da mass media, apenas mais um dos tantos gadgets que encontramos por ai, ou seja, um produto para todos aqueles que desejam consumir algo que possa conceder ares de intelectualidade. Jô Soares é meu chaveirinho de bolso.
É incrível como este volumoso apresentador utiliza todo eu bojo cultural de maneira tão equivocada: constato estarrecido que Jô Soares não deseja compartilhar o que sabe, mas sim, mostrar que sabe. O gordo peca também no papel de entrevistador, na medida em que pouco deixa seu(s) convidado(s) falar(em). Em muitos casos, a fim de demonstrar seu humor (duvidoso) alcança níveis de um descabido pedantismo: sua verve humorística adquire uma natureza iconoclasta fora de contexto. Contudo, o dono do talk sohw mais cult (?) do país pode se portar de maneira amigável diante de seus convidados. Mais que isto: em certos momentos, em algumas entrevistas (inevitável não evocar Ziraldo neste momento) Jô Soares assume uma tônica de puro puxa-saquismo. Mamães tirem nossas crianças da sala.
Mais interessante que Jô Soares, somente seu publico: tão rococó. Tão mass media. Não estou aqui, batendo cartão ponto para posar de vigilante estético, cabe apenas atentar para o fato de que a essência do que poderíamos definir como “cult” no programa do Jô Soares é totalmente falsa. Um cult deveras fake. Em minha opinião, assistir ao gordo equivale a tomar uma Bohemia. A cerveja Bohemia, já foi um dia muito saborosa. Jô Soares, antigamente, também tinha seus momentos. Contudo, atualmente, ambos tornaram-se produtos intragáveis. Mais ainda: Bohemia e Jô Soares tornaram-se traduções, significantes do esnobismo: como se ambos os produtos orgânicos (o composto de cevada e o composto de grande concentração de tecido adiposo) cumprissem um papel de “imperativo categórico”, ou seja, como se ambos os produtos trouxessem um selo que garantisse algo da ordem do refinamento. Do cool. O Isso 9000 do que é ou não bacana.
Para não fazer macartismos & macaquismos televisivos, e dizer por ai que nada presta, indico humildemente dois outros entrevistadores (que poucos conhecem por sinal): Michel Melamed e Antonio Abujamra. Cada qual – à sua maneira- funciona como um antídoto para o imbecilizante mundo global. Colocam Jô Soares no Bolso. Tal qual meu chaveiro.
sábado, 12 de abril de 2008
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Um comentário:
É isso aí: melhor ir para a cama cedo, para descansar e pensar melhor em coisas interessantes no outro dia, do que ver aquele gordo inocular seu veneno em nossas pobres mentalidades global-localizadas (que na verdade não tem taaanta cultura assim - possui uma equipe de pesquisadores no seu ponto eletrônico. Abraço, bixo!)
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