Os herois do Cazuza morreram de overdose. Bons tempos aqueles, não? E atualmente? Como perecem nossos heróis, na dita sociedade do narcisismo? Arrisco apenas e tão somente um palpite: nossos ícones atuais podem até morrer de overdose, contudo, tal dose cavalar de veneno só pode advir de uma superdose de crack.
Explico-me: nossos heróis midiaticos possuem em seu cerne um prazo de validade absurdamente curto - geralmente de apenas um ano. Alguns, assemelham-se aos iogurtes das gondolas de supermercado, duram lá seus 4 ou 5 meses. Não mais. Com efeito, os mitos televisivos são tão efêmeros quanto a fumaça tragada de um cachimbo de crack; tal como o viciado "na pedra" , os ícones concebidos ao bel prazer por uma industria midiatica- e consumidos com igual intensidade por uma massa voraz- não poderão gozar de uma vida longa e próspera.
O crackeiro- dado o poder aniquilador exercido por sua droga- trilhará em sua errância, geralmetne, por apenas dois caminhos: a cadeia ou o cemitério. De maneira análoga, o herói midiático também depara-se com duas vicissitudes distintas: o cemitério ou o ostracismo. O ostracismo é o lado amargo do show business; qualquer ícone iogurte foge deste destino atroz como a Condoleezza Rice foge da cruz. Ninguém deseja travestir-se de modess usado lançado ao lixo; os entes midiáticos querem, ao contrário, parasitear a mídia, exercer todo o seu talento dramático nos folhetins da vida, ou em última instância apenas comunicar ao léu seus "projetos em andamento".
Os mitos do efêmero também possuem sentimentos: como qualquer um eles também desejam ser vistos, ouvidos e consumidos. Adianto mais: por mais démodé que possa parecer também querem utilizar a mídia para comunicar que a palavra mais bonita presente na língua portuguesa
é saudade, bem como bradar aos quatro ventos: "libertem o Tibet".
Pensar nestes heróis fast food, é inevitavelmente pensar no BBB. Desde a criação (ou recriação, nos padrões Pedro Bial da picaretagem) deste programa, algo sempre emerge em minha mente: a vida pós-BBB seguramente deve incluir em seu pacote, acompanhamento psiquiátrico ou psicológico para todos os brothers; deve-se oferecer alento psiquico para uma vida que voltará à sua normalidade, que ao invés de câmaras e milhões de brasileiros vigiando haverá apenas o tédio da vida cotidiana. O ostracismo pode exercer uma função terrivelmente sádica e desconcertante em mentes menos preparadas para retornar a uma vida comum.
E para todos aqueles que se deparam com este texto verborrágico e babaca, faço aqui minha mea culpa evocando ninguém menos que o Pedro Bial em sua defesa do programa BBB. Para o apresentador o reality show não tem nadade anti-cultural, pois segundo Bial, o Big Brother Brasil é tão cultural quanto Guimarães Rosa. Cada um tem o direito de pensar como quiser, ninguém será executado sumariamente num tosco paredão.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
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