A cena cultural ijuiense
Cena I
9 de maio. Sexta-feira à noite. Um prazeroso debate acerca do Haicai no anfiteatro do Sesc. Umas doze pessoas como espectadores. Não mais. E o mais constrangedor: Lá estava Ricardo Silvestrini, um dos poetas mais prestigiados do circuito nacional.
Cena II
Qualquer dia de maio. Qualquer dia do ano. Uma criatura qualquer reclamando da falta de programas culturais nesta cidade; lamentando que o que existe é sempre o “mais do mesmo”.
Constantemente, me deparo com as duas cenas antagônicas acima citadas. Destes dois eventos opostos posso dizer que: certamente, concordo que o Poder Executivo tem uma concepção ingênua e/ou provinciana a respeito dos eventos culturais; ou seja, uma visão limitada da gama total das manifestações culturais (vide Expo-Ijuí, fechar a praça para um grupo nativista qualquer e acabou). Contudo, simplesmente permanecer engessado numa crítica referente à incapacidade do Poder Público em promover diversidade cultural seria adotar uma posição comodista; simplesmente acomodar-se no sofá tecendo críticas verborrágicas e nada fazer a respeito.
Pois bem: existe vida (cultural) além grupos nativistas! Basta olharmos para adiante de nosso próprio umbigo/comodista/reclamão: a universidade e o Sesc são bons exemplos de diversidade cultural. Ambas instituições cumprem importante função social e cultural para com os ijuienses. Citarei um exemplo prático: basta lembrarmos que numa mesma semana, a Unijuí trouxe Sérgio Lessa (Universidade Federal de Alagoas) para debater “Marx e Mészáros: o Capital ontem e hoje”. Três dias depois o Sesc nos brinda com as importantes contribuições de Ricardo Silvestrini sobre o Haicai.
Programação cultural existe. Infelizmente, os eventos são – em alguns casos – muito mal divulgados. Assim, prestigiar a fala de um poeta do calibre de Silvestrini ficou sob a responsabilidade (e deleite) de uns doze gatos pingados.
Prefiro adotar a alegoria de um ser ingênuo para pensar que a cena cultural ijuiense coloca-se desta maneira, em virtude de uma má divulgação e não em razão da alienação cultural que aflige vasta gama da população. Faço opção por esta teoria quimérica a fim de não pensar na hipótese de alienação, sintoma universal da mass media, sintomão cada vez mais freqüente no seio da rés televisiva.
E para ninguém dizer que fui apenas crítica no corpo do texto, deixo aqui um convite (provocação) a todos, uma dica de agenda cultural: todo último sábado do mês, ocorre na sede do Sinpro o “Cine Cabeça”, cinema de qualidade com entrada franca. Façamos então uma cena cultural realmente heterogênea nesta cidade. Façamos a diferença experimentando novas programações, fugindo um pouco do “mais do mesmo”.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
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