Meu amor. Mil amores. Que os vermes da terra devorem sem pressa teu ventre pragmático. Anseio ver tua derme marmórea ressecada, murcha sob o sol outonal. Não é nada pessoal. Não te culpo.
Tampouco teus hábitos serão recriminados neste instante: tu, ordinariamente bela, travestida em ternos sóbrios. Blindada em ternos túmidos. Jamais ternos tenros.
Teus perfumes em nada conspiraram para destino tão atroz, simplesmente dobram a esquina - já sabem o caminho de casa. Os olores matutinos, borrifados por todos os poros que te participam são ora sóbrios, ora sombrios.
Teu sorriso metalino transborda Know how, como se cada grama de alumínio retorcido soubesse tudo de antemão.
Antes que nos deixe em definitivo, devolva-me o Drummond que guardaste por meses ininterruptos na gaveta da apatia. Retire-o cuidadosamente de lá, deixe que pegue um pouco de ar. Feito isto, sorria um sorriso amarelo para ele. Apenas assim, ele poderá novamente poetar pelas suas próprias pernas; definitivamente desintoxicado da razão plena do lugar comum no qual tão demoradamente permaneceu acondicionado. E calado.
Desejo por fim, que tua ultima morada tenha como epigrafe, palavras cruas, cinzas e formais. Não se preocupe: sepultaremos lado a lado, na mesma vala, afeto e lógica.
E assim, enfim, poderemos descansar.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
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