quarta-feira, 23 de julho de 2008

País tropical

Mahmoud Ahmadinejad é uma criatura ímpar: o homem que questiona a veracidade histórica acerca do Holocausto e ainda, o político que ministra uma palestra na qual profere ameaças e palavras de ordem contra os EUA numa Universidade em pleno território americano é também o mesmo distinto cavalheiro que pede – via Itamaraty -uma camisa do Clube de Regatas Flamengo. Marcio Braga, o atual presidente da instituição ficou atônito: “o cara que quer explodir Israel, me pede uma camisa do Flamengo. Maravilha”.
Do modo como anda a carruagem (ou o carro bomba), pode até ser que, após vestir o manto rubro negro, Mahmoud decida subir o morro e beber cachaça. Ser flamengo ele já é. Apenas falta ter agora uma nega (o escuro da burkha não conta, que fique bem claro!) para alegria de Ben Jor.
Mahmoud Ahmadinejad vestir a camisa do mengão é a prova cabal e definitiva de que nosso país enseja a sina do exótico em sua verve: todos os gringos querem extrair um naco da alegoria extravagante made in Brazil. Não importa de que lugar do globo a criatura seja; sendo “estranja” qualquer um quer um pedaço da fatia da sobremesa exótica destes trópicos: desde o italiano cinquentão e seu inofensivo turismo sexual ou a sueca (que nessa altura do campeonato brasileiro já se encontra alvi-rubra devido ao sol escaldante) nas areias de Copacabana, ou seja ainda simplesmente o presidente do Irã.
Mahmoud vestir uma camisa do Los Angeles Galaxy é como Condoleeza Rice estrelar um filme pornô. Seria impensável (e por que não dizer também, reconfortante? Para nosso próprio bem...). Esta “fantasia de Brasil” é o que faz o Brasil, Brazil.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad odeia os EUA como o Zeca Pagodinho odeia cerveja sem álcool. Mahmoud abomina os judeus com a mesma intensidade. E daí? Ele tem uma paixão (e agora uma camisa) pelo Flamengo. E é isto que importa.

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