terça-feira, 25 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O carnaval acabou
o quarto pegou fogo
a quarta virou cinza.
O notâmbulo que agora perambula
conta com suas chagas quiméricas abertas
Andejando e
sentindo o azedume das esquinas,
das histéricas
das roupas íntimas penduradas no varal
Secas,
como a vulva provinciana da moça
Mulher de couraça gélida,
fuselagem marmórea
Dotada de silêncio tão denso
que alguém deveria corta-la com uma faca
Palavras que não surtem afeto
(efeito)
Nem mesmo quando
instaladas no horizonte vertical da poesia
De súbito
todas as abstrações abandonam a sala
constrangidas de suas gabolices,
enfaradas de tanto tentar
Deixam assim,
para além do riso da moça
um espaço destituído de matéria.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ó deus remendado
padecendo em pântanos de abandono,
sumo escândalo.
Cadáver itinerante
entre sedativos sonambólicos
e podridões retais
Dorme neném
que a Culpa vem pegar
(em trajes negros)
deus do marmore,
das epígrafes,
dos vermes.
ó deus
adeus.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pó de luz.
Pó de luz.
Pode a luz,
fluorescente
romper-se
e
irromper,
sua poeira luminosa
infectando
gatos, cães,
ratos e catadores,
espalhando sua química radiante,
fulgurante
e
fulminante?